31 de mai de 2013

Festa do Divino: mais de um século de tradição

 A origem da festa é histórica. Surgiu de uma promessa feita pela rainha de Portugal ao Divino Espírito Santo, em troca do acordo entre pai e filho que disputavam o trono. Quando houve a reconciliação ela criou a bandeira, bordando uma pomba branca, simbolizando a paz. O rei iniciou a festa coroando, simbolicamente, um jovem do reino, para demonstrar que o poder estava com o povo e à serviço do povo.
O ato tornou-se tradição portuguesa e veio para Santa Catarina com açorianos.
Em Jaguaruna, a primeira festa documentada aconteceu em 1900, com repetição a cada quatro anos.
Depois, com a chegada do padre Ludgero Locks, a festa começou a ser realizada todos os anos.
“A festa do Divino sempre foi muito esperada por todos e trazia fiéis de várias regiões, era um grande acontecimento em Jaguaruna”, lembra o aposentado Luiz Pereira Mendes, popular Lulu.




A festa que acontece sempre entre os meses de maio e junho tem como tradição a visita nas comunidades com a Bandeira do Divino.
“Antigamente era uma verdadeira cantoria quando passava a bandeira, tinha os tiradores de versos e os donos das casas iam, aos poucos, fazendo as ofertas, e a cada nova oferta o puxador tirava mais um verso. Eu lembro do senhor Natanael, do senhor Camilo Rivera..., que faziam parte da equipe que visitavam as casas”, comenta Amilton Mendonça, que juntamente com a esposa Virgínia, em 1984 foram um dos casais responsáveis pela festa.



Antigamente para se chegar à festa do Divino no centro da cidade, era utilizado carros de boi, charretes, carroça, canoa, trem, a cavalo..., e outros ainda iam a pé.
“Nós íamos a pé, saímos de casa de tamanco, quando chegávamos ali perto de onde hoje é a Big Pão, nós tirávamos os tamancos e só então colocávamos os sapatos. Festa do Divino era a data que se ganhava roupa nova”, relembra Manoel Serafim Costa, popular Nelinho.
As festividades tinham início na sexta-feira, com a realização do baile que na época era feito no clube ou na casa de ensaio da banda. As danças de salão eram realizadas nos sábado e também no domingo.  No domingo pela manhã, logo cedo,às 7h30min, era celebrada a primeira missa e logo às 10h30min a segunda missa. A banda acompanhava o cortejo real e animava a missa.
Pelos dias da festa os trens de linha faziam horários diferenciados entre Laguna, Tubarão e Jaguaruna.
Durante as festividades os movimentos de barraquinhas eram grandes e o tradicional aviãozinho era um divertimento a mais para os participantes que arrematavam pão de ló e outras ofertas.
Na segunda-feira acontecia a entrega da Bandeira do Divino Espírito Santo para os festeiros que iriam realizar a festa no ano seguinte.
Hoje, o evento é anual e ocorre em três dias entre os meses de maio a junho, no centro da cidade. O desfile do quadro imperial, composto por jovens do município, é acompanhado pela Banda Amor a Pátria até a igreja matriz para a cerimônia religiosa, juntamente com os festeiros e a população.
Além da festa ocorre a animação da banda no salão paroquial, show pirotécnico e serviço de barraquinhas.
Neste ano, a festa em honra ao Divino Espírito Santo foi organizada por cinco casais que visitaram as 19 comunidades do município com a realização das novenas.
Festeiros de 2013:
Vamilson Fernandes Vieira e Kátia da Silva Bitencourt
Fábio Ferreira Espíndola e Gelsilene Gabriel
Silvio de Souza e Daiane dos Anjos
Francisco de Assis Bitencourt e Fernanda Constante Bitencourt
Mateus Ricardo Pereira e Michele Menegaz Pereira

Fonte: Folha Regional/ Angela Barbara Pereira
Fotos: Acervo Foto Regina/ Jaguaruna
Fotos com depoimentos: Folha Regional







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